Dia do Veterinário

Dia do Veterinário
09 de Setembro

18 de mar. de 2010

Bactérias presentes na boca de ofídios

Os acidentes com ofídios representam um grande problema de saúde pública, não só por sua frequência, mas principalmente por complicações secundárias locais e sistemáticas.  
A cavidade oral dos ofídios apresentam uma abundante flora bacteriana.  Dentre as principais espécies de bactérias encontradas estão Morganella morganii, Escherichia coli, Providentia (Gram negativos) e Stretococcus - tipo D (gram positiva).
Dentre os gram negativos isolados de abcessos por picadas de cobras a espécie Morganella morganii é a mais frenquente, aparecendo em cerca de 45% dos pacientes picados por cobras do gênero Bothrops (jararacas).


Curiosidades da Classe OPHIDA

No mundo todo são descritas mais de 3.000 espécies de cobras, sendo que 410 são peçonhentas. 
No Brasil há 265 espécies, distribuídas em 73 gêneros, e dessas, 57 são consideradas peçonhentas

ANIMAIS SÃO PEÇONHENTOS OU VENENOSOS?

•Animais peçonhentos são aqueles que possuem glândulas de veneno que se comunicam com dentes ocos, ou ferrões, ou aguilhões, por onde o veneno passa ativamente. Portanto, peçonhentos são os animais que injetam veneno com facilidade e de maneira ativa: Ex. serpentes, aranhas, abelhas, escorpiões e arraias.
•Animais venenosos são aqueles que produzem veneno, mas não possuem um aparelho inoculador (dentes, ferrões), provocando envenenamento passivo por contato (lonomia ou taturana), por compressão (sapo) ou por ingestão (peixe baiacu).
Fonte - Guia SUS

SOBRE ACIDENTES OFÍDICOS

MEDIDAS PREVENTIVAS
            - Não andar descalço;
            - Não introduzir a mão em buracos no chão ou sob grandes pedras;
            - Olhar com atenção por onde caminha, principalmente em matagais;
            - Evitar o manuseio de serpentes vivas ou mortas;

CUIDADOS APÓS O ACIDENTE
            - Procurar ajuda médica imediatamente, de preferência levando a serpente para a identificação;
            - Não garrotear o local, pois agrava a necrose e pode induzir ao choque;
            - Evitar movimentação e agitação;
            - Tratamento com soro específico e anti-histamínicos.
            - Se o choque for eminente - administração de corticoterapia.

PEÇONHA OFÍDICA

PEÇONHA OFÍDICA
            O veneno das serpentes é secretado por um par de glândulas supralabiais volumosas, situadas simetricamente nos lados da cabeça, logo abaixo e para trás dos olhos, posição que determina maior alargamento e a conseqüente forma triangular da cabeça das espécies peçonhentas.
            Há uma perfeita adaptação do canal glandular ao canal dentário das presas inoculadoras das serpentes solenóglifas, de modo que a peçonha é inoculada sob pressão, graças a uma expansão da mucosa e à potente musculatura da região.
            A peçonha é um líquido pouco viscoso, transparente, levemente leitoso ou amarelado. É constituído de complexos elementos protéicos (enzimas proteolíticas, neurotóxinas, fosfatidases), que variam nas diferentes espécies. Desse modo, suas ações no homem também são variáveis, mas são basicamente:
            Ação proteolítica­ - decompõe as proteínas, causando destruição dos tecidos (necrose).
            Ação coagulante - quando o veneno penetra lentamente e em pequenas doses na circulação sangüínea ocorre a destruição direta do fibrinogênio ou coagulação de fibrinogênio (proteína do sangue), impedindo a coagulação. Entretanto, quando essa penetração é rápida e em doses ainda pequenas, a desfibrinação é precedida por um aumento da coagulabilidade. Nos casos de penetração rápida de grandes doses, ocorre coagulação maciça dentro dos vasos, seguida de morte.
            Ação neurotóxica - contém substância tóxica para o sistema nervoso, determinando perturbação da visão, queda das pálpebras superiores (ptose palpebral), torpor, sensação de adormecimento ou formigamento.
            Ação hemolítica - destruição dos glóbulos vermelhos. O veneno provoca alterações importantes a nível de rins, podendo causar morte por insuficiência renal aguda. Na prática, essa ação é evidenciada pela eliminação da meta-hemoglobina através da urina, que se apresenta com cor de coca-cola.


SINTOMATOLOGIA

GRUPO BOTRÓPICO E  LAQUÉTICO - veneno proteolítico coagulante.
            Todas as serpentes do gênero Bothrops  e Lachesis produzem sintomas semelhantes, variando apenas a intensidade, de acordo com a quantidade de veneno inoculado.
            Há sempre dor, edema e cianose local. Depois aparecem bolhas, que podem conter sangue no seu interior. Quando as reações locais tornam-se mais intensas, aparece febre e freqüentemente infecção secundária.  Nos casos graves há vômitos, seguidos de prostração, sudorese e desmaios. Quando há inoculação de grandes quantidades de veneno, como nas picadas de Jararacuçu, pode haver hemorragias pelo nariz, gengiva, borda das unhas e urina. Em situações mais severas, pode ocorrer queda de pressão sangüínea, com possibilidade de colapso periférico e risco de vida para o acidentado.


GRUPO CROTÁLICO - veneno neurotóxico e hemolítico.
            Geralmente não provocam dor local. Após 30 a 60 minutos do acidente, aparecem as dores musculares, particularmente na região da nuca, distúrbios da visão, ptose palpebral (Fascies neurotóxicas). Nesses casos, o acidentado sente tonturas, imagem turva e dupla. Pode haver hemoglobinúria (meta0hemoglobina na urina) que se apresenta em urina cor de coca-cola. Pode haver vômitos. Nos acidentes mais graves, há comprometimento renal, com risco de vida por insuficiência renal aguda.



GRUPO ELAPÍDICO - veneno neurotóxico.
            Geralmente não há dor local. Logo após a picada há formigamento da região, com irradiação para a raiz do membro afetado. Após 30 a 60 minutos do acidente, aparecem as dores musculares, particularmente na região da nuca, distúrbios da visão, ptose palpebral (Fascies neurotóxicas). Nesses casos, o acidentado sente tonturas, imagem turva e dupla. Esse quadro pode ser acompanhado de salivação grossa, dificuldade de engolir e de falar. Nos casos mais severos,  há risco de vida por paralisia respiratória.
            Todos os acidentes por coral verdadeira são considerados graves.

FAMÍLIAS DE SERPENTES VENENOSAS NO BRASIL

FAMÍLIA: VIPERIDAE

Subfamília: Crotalinae
            Solenoglifas. Dentes inoculadores de veneno, fosseta loreal presente, cabeça achatada e triangular bem destacada do corpo, escamas em quilha ou embricadas (casca de arroz), focinho terminando em ponta. Olhos com pupila elíptica vertical. Corpo curto e grosso, cauda curta, quase sempre afilando bruscamente. Ovovivíparas.
Características da cauda        1. Cauda lisa: Bothrops
                                             2. Cauda com creptáculo: Crotalus
                                              3. Cauda com escamas arrepiadas: Lachesis

GÊNERO: Bothrops- Jararacas. Cauda lisa, não espinhosa, faixa escura atrás dos olhos, escamas cefálicas achatadas, dorsais, dorso amarelado com manchas laterais triangulares, em forma de telefone, ventre esverdeado.   Ovovivíparas.
Habitat: campos e roçados
Veneno proteolítica coagulativa
  B. jararaca- Jararaca. Pode alcançar mais de 1 metro de comprimento. RS, SC, PA, SP, RJ, algumas áreas de MS e BA.
  B. jararacussu- Jararacuçu. Pode alcançar mais de 2 metro de comprimento. SC, PA, SP, RJ, ES, MS, algumas áreas de MS e BA.
  B. alternatatus- Urutu, urutu cruzeiro. Pode alcançar mais de 1 metro de comprimento. Ocorrência: RS, SC, PA, SP, MG e MG;
  B. atrox- Jararaca grão de arroz. Pode alcançar mais de 1 metro de comprimento. Floresta amazônica.
  B. cotiara- Cotiara, Jararaca de barriga preta. É menor que 1 metro. RS, SC, PA e SP.
  B. moojeni- Caiçaca. Pode alcançar mais de 1 metro de comprimento. Ocorre nos campos cerrados desde o PA e SP até  MA.
  B. neuwiedi- Boca de sapo, jararaca pintada. Pode alcançar pouco mais de 1 metro de comprimento. Ocorre em praticamente todo o Brasil, exceto no vale amazônico.

GÊNERO: Crotalus- Cascavel. Cauda com guizo, chocalho ou creptáculo. Cabeça coberta de escamas imbricadas, curta, distinta do pescoço, corpo cilíndrico e robusto.
Ovovivípara.
Habitat: terrenos secos e pedregosos.
Veneno de ação neurotóxica e hemolítica.
  C. durissus- Cascavel ou Boicininga. Podem alcançar mais de 1 metro de comprimento. Ocorre em praticamente todo o Brasil, exceto no vale amazônico. Tem muitas subespécies: C. durissus cascavella, C. durissus collineatus, C. durissus marajoensis, C. durissus terrificus e C. durissus ruruima.

GÊNERO- Lachesis- Surucucu pico de jaca. Cabeça curta, coberta de escamas, escamas cefálicas granulosas dorsais com imbricamento muito saliente, escamas caudais espiniformes. Dorso pálido amarelado, com losangos castanhos ao longo da região vertebral.
  L. mutans- Surucucu pico de jaca, surucucu de fogo, surucutinga. São as maiores serpentes peçonhentas das Américas, podendo alcançar mais de 4 metros de comprimento. Ocorre nas florestas litorâneas do estado do Rio de Janeiro para o norte, e por todo o vale amazônico. Tem 2 subespécies L. mutans mutans e L. mutans noctivaga.
Ovípara.
Habitat: florestas densas e sombrias da região tropical.
Veneno de ação proteolítico coagulante.

FAMÍLIA: ELAPIDAE
            Proteroglifas. São pequenas, de cabeça pequena, pouco distintas do corpo, o corpo é revestido de placas e anéis contínuos, coloridos de preto, marrom ou vermelho, não tem fosseta loreal, olhos reduzidos, com pupilas elípticas ou sub-elípticas. São ovíparas
            Hábitos subterrâneos.
Gênero: Micrurus
 M. corallinus-  Coral verdadeira. Cabeça negra, primeiro anel negro situado logo após a cabeça, anéis afastados e em número de 15 a 31 ao longo do corpo. Veneno de ação neurotóxica.


Chave para identificação de cobras Coral 

Baseada em uma classificação existente, o nome coral pode ser dado para cobras com características diversas. Isto porque a adaptação a coloração de cobras do gênero Micrurus é bastante comum, uma vez que estas cobras são possuidoras de venenos poderosos.
Temos assim, um exemplo de um caso de mimetismo da coloração aposemática (coloração chamativa que indica perigo) das cobras corais.
Chave dicotômica  para classificação de cobras corais
Corpo vermelho sem anéis................................................... Elapomorphus tricolor Corpo vermelho com algum tipo de anel............................................pg.2


Página 2 Corpo vermelho com anéis ou faixas simples.................................... pg.3
Corpo vermelho com anéis múltiplos..................................................
pg.6


Página 3
Dorso com faixas pretas transversais......................................
Pseudoboa rhombifera
Dorso com séries de anéis pretos e amarelos.....................................
pg.5


Página 5
Focinho saliente e arrebitado.............................................
Lystrophys semicinctus
Focinho arredondado ....................................................
Erythrolamprus aesculapil

Página 6 Focinho saliente e anguloso..................................Simophis rhinostoma
Focinho arredondado ..........................................................................
pg.7


Página 7 Cauda fina e longa. Cabeça mais larga que o pescoço. 
Olho visível ..................................................................Pseudoboa trigemina
Cauda grossa e curta. Cabeça tão larga o pescoço. Olho mal visível .............
pg.8


Página 8 Anéis pretos iguais - Parietal afastado de labiais.................................pg.9
Anéis pretos desiguais (sendo o central mais largo)................................
pg.10


Página 9
Cabeça preta manchada de amarelo.................................Micrurus frontalis
Cabeça amarela com 2 faixas pretas.....................................
Micrurus lemniscatus

Página 10 Parietal afastada de labiais..................................................Micrurus fischeri
Parietal contigua a labiais...........................................................
Micrurus decoratus

ESQUEMAS - OFÍDIOS

ESQUEMA DE CABEÇAS E CAUDAS DE OFÍDIOS




CAUDAS DE CROTALUS, BOTHROPS E LACHESIS